O aço Corten conquistou espaço na arquitetura por uma característica bastante particular: em vez de esconder o processo de corrosão, ele transforma a oxidação em parte de sua identidade. A formação da pátina cria a aparência característica do material e, em determinadas condições, também contribui para proteger o aço contra a progressão da corrosão atmosférica.

Mas existe um ambiente que coloca essa característica à prova de maneira especialmente intensa: o litoral.

A combinação de umidade, temperatura, sal e presença de íons cloreto torna a atmosfera marinha um dos cenários mais desafiadores para o desempenho dos aços. E isso levanta uma pergunta que interessa diretamente à arquitetura: até onde o aço Corten pode resistir quando está exposto à maresia?

Uma pesquisa publicada em agosto de 2026 na revista científica npj Materials Degradation investigou justamente essa questão. Pesquisadores desenvolveram um aço patinável de alta resistência, ligado com cromo e níquel, e compararam seu comportamento com o aço comercial E690 em condições que simulavam uma atmosfera marinha.

Os resultados chamam a atenção: o novo aço apresentou menor perda de massa durante todo o ensaio, formou uma camada de corrosão mais compacta e, após 504 horas, os pesquisadores não detectaram nem cloro nem sódio dentro dessa camada.

Isso não significa que qualquer aço Corten possa ser utilizado sem restrições em qualquer região litorânea.

O que a pesquisa mostra é algo talvez mais interessante: a composição do aço pode ser decisiva para melhorar seu comportamento em ambientes marinhos.

E entender o que acontece nessa camada de ferrugem ajuda a explicar por que a ciência continua buscando novas gerações de aços patináveis.

Por que o ambiente marinho é tão desafiador para o aço?

A maresia não é apenas uma questão estética.

Em ambientes marinhos, o aço está sujeito a uma combinação particularmente agressiva de umidade elevada, temperatura, radiação solar e concentração de íons cloreto. Esses fatores favorecem processos de corrosão que podem comprometer o desempenho de materiais metálicos.

Entre todos eles, os cloretos merecem atenção especial.

Os íons Cl⁻ podem penetrar na camada de produtos de corrosão e contribuir para a continuidade do processo corrosivo. Por isso, quando se desenvolve um aço para ambientes marinhos, não basta pensar em como reduzir a corrosão inicial.

É preciso pensar também em como a própria camada de ferrugem se forma, evolui e protege o material ao longo do tempo.

É justamente aqui que os aços patináveis se tornam interessantes.

A proposta não é impedir completamente a oxidação da superfície. É fazer com que os produtos dessa oxidação contribuam para formar uma camada mais estável, compacta e protetora.

E o novo estudo investiga justamente como tornar esse mecanismo ainda mais eficiente.

O problema: nem todo ambiente é igual para o aço Corten

Antes de avançar, existe uma distinção importante.

Atmosfera marinha não é a mesma coisa que ficar em contato direto com água do mar.

O estudo de 2026 avaliou o comportamento do material em uma atmosfera marinha simulada, utilizando ciclos controlados de umidade e secagem com uma solução de cloreto de sódio.

Isso é bastante diferente de uma peça permanentemente submersa.

E pesquisas anteriores ajudam a demonstrar essa diferença.

Em um estudo publicado em 2024, por exemplo, pesquisadores acompanharam três aços utilizados em pontes durante dois anos em um ambiente marinho tropical real, na estação de testes ambientais marinhos de Sanya, na China. Os materiais foram avaliados tanto na zona atmosférica quanto em uma zona de imersão.

Na atmosfera marinha, o aço patinável com maior quantidade de elementos de liga apresentou a menor taxa de corrosão após dois anos, cerca de 0,015 mm/ano, contra aproximadamente 0,027 mm/ano para o aço convencional utilizado como referência.

Mas, na imersão, a história foi diferente.

Os três aços sofreram corrosão severa, e os pesquisadores concluíram que os benefícios dos aços patináveis não se mantiveram diante da ação intensa dos cloretos. O estudo considerou inadequado utilizar esses aços sem revestimento em condições de imersão.

Portanto, quando falamos em Corten no litoral, é importante saber exatamente do que estamos falando.

Exposição à maresia, chuva e atmosfera marinha é uma condição.

Contato permanente com água salgada é outra.

Essa diferença será fundamental para qualquer projeto.

Pesquisadores desenvolvem aço patinável de 690 MPa para ambientes marinhos

Aço Corten pode resistir melhor à maresia? Novo estudo sugere que sim

Como já mencionamos, o novo estudo foi publicado na npj Materials Degradation (versão de registro publicada em 20 de agosto). O trabalho foi conduzido por pesquisadores ligados a instituições como a University of Science and Technology Beijing e a Nanjing Iron and Steel Group, entre outras.

A pesquisa partiu de um aço de alta resistência da classe de 690 MPa, conhecido como E690.

Os pesquisadores desenvolveram uma versão modificada, chamada E690 WS, adicionando:

  • 1,0% de cromo (Cr);
  • 2,0% de níquel (Ni).

Depois, compararam seu comportamento com o E690 comercial.

A pergunta era relativamente simples:

Seria possível manter a elevada resistência mecânica de um aço E690 e, ao mesmo tempo, melhorar seu comportamento diante da corrosão em uma atmosfera marinha?

Para responder, os pesquisadores não olharam apenas para a superfície do material.

Eles analisaram a perda de massa, a estrutura da camada de ferrugem, sua composição química e suas propriedades eletroquímicas, utilizando técnicas como microscopia eletrônica, difração de raios X, espectroscopia de fotoelétrons e microscopia confocal a laser.

O objetivo era entender não apenas quanto o aço corroía, mas também por que uma composição apresentava desempenho melhor que a outra.

Por que cromo e níquel?

Aqui está uma das partes mais interessantes da pesquisa.

O cromo e o níquel não estão simplesmente “evitando que o aço enferruje”.

Eles ajudam a modificar a forma como a ferrugem se organiza.

O cromo favoreceu a formação de compostos como Cr(OH)₃ e Cr₂O₃ e contribuiu para a formação de α-FeOOH, uma das formas de oxi-hidróxido de ferro associadas à maior estabilidade da camada de corrosão.

Já o níquel favoreceu a formação de NiO e NiFe₂O₄. Segundo os pesquisadores, essas fases contribuem para tornar a camada de ferrugem mais estável e protetora.

Em termos mais simples, podemos imaginar a camada de ferrugem como uma espécie de barreira microscópica.

Ela não precisa impedir que a superfície oxide.

O que importa é que, conforme a corrosão acontece, os produtos formados sejam capazes de criar uma barreira cada vez mais eficiente contra a penetração de agentes corrosivos.

E o estudo encontrou evidências de que foi exatamente isso que aconteceu com o E690 WS.

Como os pesquisadores testaram o aço?

Para simular uma atmosfera marinha agressiva, os pesquisadores utilizaram corpos de prova de 50 × 25 × 5 mm.

Os testes foram realizados em ciclos de umidade e secagem utilizando uma solução de 3,5% de NaCl, concentração semelhante à da água do mar.

Cada ciclo durava uma hora:

  • 12 minutos de imersão na solução;
  • 48 minutos de secagem;
  • ambos a 45 °C.

Os corpos de prova foram analisados depois de 72, 168, 336 e 504 horas de exposição.

Isso permitiu acompanhar a formação da camada de corrosão desde seus primeiros estágios até uma etapa mais avançada.

E foi justamente essa evolução que revelou uma diferença importante entre os dois materiais.

O resultado: uma camada de ferrugem mais compacta e protetora

Depois de 72 horas, a camada de corrosão formada sobre o E690 WS tinha aproximadamente 179,73 micrômetros de espessura.

No E690 convencional, ela chegava a aproximadamente 218,74 micrômetros.

Mas o número mais importante não é a espessura.

É a estrutura.

Enquanto a camada do E690 WS apresentava uma estrutura mais compacta, a do E690 convencional era descrita pelos pesquisadores como solta e porosa.

Isso nos leva a uma conclusão bastante interessante:

Uma camada de ferrugem mais espessa não é necessariamente uma camada de ferrugem mais protetora.

O que importa é sua composição, sua estrutura e sua capacidade de dificultar a chegada de agentes corrosivos até o aço.

E essa diferença ficou ainda mais evidente conforme o ensaio avançou.

O que aconteceu com a camada de corrosão ao longo do tempo?

Depois de 168 horas, a camada do E690 WS havia crescido para aproximadamente 272,89 μm.

Nesse estágio, os pesquisadores observaram uma separação interessante: os elementos provenientes do meio corrosivo, principalmente cloro e sódio, estavam concentrados na região externa da camada, enquanto o cromo estava mais concentrado na região interna.

Depois de 336 horas, a espessura da camada permaneceu praticamente estável.

Ao mesmo tempo, a presença de cloro e sódio diminuiu, enquanto o enriquecimento de cromo na camada se tornou mais evidente.

E então veio um dos resultados mais interessantes do estudo.

Após 504 horas, Cl e Na não foram mais detectados dentro da camada de ferrugem do E690 WS.

No E690 convencional, a situação era bastante diferente.

Após o mesmo período, a camada havia chegado a aproximadamente 479,24 μm e apresentava fissuras pronunciadas, além da presença de cloro e sódio.

Ou seja: a camada do aço convencional era muito mais espessa, mas também apresentava caminhos pelos quais os agentes corrosivos poderiam continuar avançando.

No E690 WS, a camada era mais compacta e apresentava uma evolução diferente.

O aço patinável conseguiu bloquear os cloretos?

Os resultados indicam que sim – pelo menos nas condições específicas avaliadas pelo estudo.

Os pesquisadores descrevem a camada de corrosão do E690 WS como cation-selective, ou seletiva à passagem de determinados íons. Esse comportamento dificulta a penetração dos íons cloreto, um dos principais agentes associados à corrosão em ambientes marinhos.

O papel do níquel é especialmente interessante nesse processo.

Segundo a análise química, a quantidade relativa de NiFe₂O₄ na camada de ferrugem do E690 WS aumentou de aproximadamente 0,55 após 72 horas para 0,93 após 504 horas.

No E690 convencional, os valores correspondentes foram aproximadamente 0,52 e 0,75.

A formação dessas fases está associada, segundo os pesquisadores, à estabilização da camada de ferrugem e à maior dificuldade de penetração dos íons Cl⁻.

Em outras palavras: o material não está simplesmente “enferrujando menos”. A própria ferrugem está assumindo características diferentes.

E essa talvez seja a principal descoberta que interessa à arquitetura.

E a resistência à corrosão? Os números confirmam a diferença

A diferença também apareceu quando os pesquisadores mediram a perda de massa dos corpos de prova.

Durante todo o período do ensaio, o E690 convencional apresentou perda de massa maior que o E690 WS.

Os dados foram ajustados a uma função matemática usada pelos pesquisadores para descrever a evolução da perda de massa.

O coeficiente associado à taxa inicial de corrosão foi de:

  • 19,9
  • E690 WS

contra:

  • 30,1
  • E690 convencional

De acordo com os autores, o valor menor indica uma taxa inicial de corrosão mais baixa e, consequentemente, maior resistência à corrosão do aço patinável desenvolvido.

Os testes eletroquímicos também apontaram para uma camada mais protetora no E690 WS. Conforme o tempo de exposição aumentava, a resistência da camada à passagem de espécies corrosivas crescia, enquanto no E690 convencional essa evolução era mais limitada.

A análise da corrosão localizada trouxe outra diferença.

Depois de 504 horas, a profundidade máxima representada pelo parâmetro de rugosidade Sz foi de aproximadamente 403,15 μm no E690 WS, contra 426,31 μm no E690. Os pesquisadores interpretaram esses resultados como evidência de corrosão localizada mais severa no aço convencional.

Os diferentes testes, portanto, apontaram para a mesma direção: o E690 modificado com cromo e níquel desenvolveu uma camada de corrosão mais estável e apresentou maior resistência à corrosão nas condições simuladas.

Então o aço Corten pode ser usado no litoral?

A resposta mais correta é: depende.

O estudo de 2026 fornece evidências de que uma determinada composição de aço patinável apresentou desempenho superior ao E690 comercial em uma atmosfera marinha simulada.

Isso é diferente de afirmar que qualquer aço Corten pode ser instalado em qualquer ambiente próximo ao mar.

A distância da costa, a exposição aos ventos e à maresia, a frequência de chuva, a possibilidade de acúmulo de água e sais, os detalhes construtivos e a própria aplicação da peça podem influenciar o comportamento do material.

E existe uma diferença ainda mais importante:

exposição à atmosfera marinha não é o mesmo que imersão em água salgada.

Como vimos, pesquisas realizadas em ambientes marinhos reais indicam que os aços patináveis podem apresentar bom desempenho na zona atmosférica, enquanto a imersão direta pode provocar corrosão severa e eliminar as vantagens observadas na atmosfera.

Fornecedor de aço corten: como escolher com segurança

Da matéria-prima ao projeto: Corten sob medida na Mostaza

Os pesquisadores estão trabalhando em uma etapa fundamental dessa evolução: entender como a composição do aço pode melhorar seu comportamento diante de ambientes mais agressivos.

Na arquitetura, existe uma etapa igualmente importante: transformar o material em uma solução adequada para cada projeto.

É aqui que entra a fabricação personalizada.

O aço Corten pode assumir diferentes formas e funções. Pode se transformar em uma fachada, um painel, uma porta, um portão, um brise, uma estrutura, uma peça de paisagismo ou um elemento arquitetônico desenvolvido especificamente para determinado espaço.

Na Mostaza, essa possibilidade se conecta diretamente à experiência de fabricação metalúrgica.

Trabalhamos com processos como corte, dobra, calandragem, solda, montagem e fabricação personalizada, permitindo transformar chapas de aço Corten em elementos desenvolvidos de acordo com as necessidades de cada projeto.

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